Dados do Ministério da Saúde apontam que o VSR responde por 18% dos casos de síndrome respiratória grave; especialistas alertam para subnotificação.

Embora o aumento dos casos de Influenza A domine as atenções, o vírus sincicial respiratório (VSR) tem se consolidado como uma ameaça crescente e ainda pouco conhecida no Brasil. Dados do Ministério da Saúde revelam que, no primeiro trimestre deste ano, o VSR foi responsável por 18% das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com vírus identificado. A tendência é de alta para o segundo trimestre: o Boletim Infogripe, da Fiocruz, mostrou que a proporção do vírus subiu de 14% em março para 19,9% em abril.
O impacto do VSR é frequentemente subestimado em adultos e idosos por ser historicamente associado à bronquiolite em bebês. Contudo, especialistas reunidos no seminário “Impacto do VSR na população 50+” alertam que os números atuais são apenas “a ponta do iceberg”. A pneumologista Rosemeri Maurici, da UFSC, explica que a falta de testagem em massa para este agente em hospitais dificulta o diagnóstico real, já que muitos pacientes idosos apresentam carga viral reduzida após 72 horas, tornando a detecção mais difícil do que em crianças.
O risco para a população acima de 60 anos é acentuado pela imunosenescência — o declínio natural do sistema imunológico — e pela presença de comorbidades. Pacientes idosos com VSR têm quase três vezes mais chances de desenvolver pneumonia e o dobro de risco de morte em comparação com a gripe comum. Portadores de doenças cardiovasculares, diabetes e doenças respiratórias crônicas, como a asma, formam o grupo de maior vulnerabilidade, uma vez que a infecção gera uma resposta inflamatória que pode desencadear infartos e AVCs.
Atualmente, a prevenção por meio da vacinação para adultos e idosos está restrita à rede privada de saúde. No Sistema Único de Saúde (SUS), o imunizante é oferecido apenas para gestantes, visando a proteção dos recém-nascidos. Sociedades médicas recomendam a vacinação para pessoas acima de 50 anos com doenças crônicas e para todos os idosos a partir dos 70 anos, defendendo que a incorporação dessa tecnologia no Programa Nacional de Imunizações seja avaliada para proteger os grupos de maior risco.
Fonte: Agência Brasil






