
Prática pedagógica da professora Vera Santos utiliza o hiperfoco da estudante Yasmin Távora para desenvolver habilidades de comunicação e autonomia no 5º ano.
ALVORADA DO OESTE (RO) – A história local e a ancestralidade indígena e pioneira ganharam um novo significado na Escola Estadual de Ensino Fundamental Joaquim Xavier de Oliveira.
A professora Vera Santos transformou a trajetória do município de Alvorada do Oeste em uma poderosa ferramenta de inclusão escolar. Adaptando os conteúdos de Língua Portuguesa, História e Arte, a docente conseguiu estimular a atenção, a comunicação e a interação social de Yasmin Távora, aluna do 5º ano que possui o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O segredo do sucesso da atividade está no respeito ao “hiperfoco” da estudante. Yasmin é bisneta de João Távora Filho e Zenaide Távora, figuras pioneiras da região. Ao trazer o passado do município e de sua própria família para o centro das aulas, a professora capturou o interesse genuíno da aluna, transformando o aprendizado em algo vivo e significativo.
Adaptação e autonomia na prática
Diferente do que muitos pensam sobre a educação especial, a estratégia não consistiu em mudar o conteúdo da turma, mas sim em adaptar a forma de acesso ao conhecimento. A professora Vera ajustou a rotina da sala de aula, introduziu recursos visuais e respeitou o ritmo da estudante. Práticas multissensoriais, uso de materiais concretos e jogos interativos passaram a englobar todas as disciplinas do bimestre.
“A flexibilização do tempo permitiu que a Yasmin executasse as atividades em seu próprio ritmo, reduzindo a ansiedade e a insegurança através da previsibilidade”, explica a professora.
Os resultados práticos dessa metodologia foram vivenciados fora dos muros da escola. Em uma visita ao Museu Histórico Alvoradense, Yasmin descreveu com propriedade os objetos utilizados pelos pioneiros na década de 1980. O ponto alto da atividade foi o protagonismo da estudante que, de forma autônoma e com muita desenvoltura, realizou uma entrevista com a primeira professora da história do município.



Hoje, a evolução de Yasmin é considerada satisfatória a ponto de ela já realizar diversas atividades escolares sem a necessidade do profissional de apoio em tempo integral.
Parceria entre escola e família como pilar
O projeto também brilha ao destacar que a inclusão não se faz de forma isolada. A professora Vera Santos aponta o trabalho colaborativo com a família como o grande pilar do rendimento escolar da aluna.
Através de canais digitais, a escola mantém uma comunicação diária com os familiares de Yasmin, alinhando a rotina de casa com as metas estabelecidas no Plano Educacional Individualizado (PEI). Essa rede de apoio ganha ainda mais força com a participação da avó materna da estudante, Rosenaide Távora, que também é professora no município e acompanha de perto a vida escolar da neta.
“A criança que tem acompanhamento familiar o rendimento é outro”, defende Vera, reforçando que provocar a autoconfiança e propor desafios pedagógicos são os caminhos mais eficazes para que estudantes com TEA superem barreiras e alcancem seu pleno desenvolvimento integral.
Fonte: Rondonia por Dentro


