Vacinação contra HPV avança no Brasil, mas mortes ainda preocupam

Cobertura vacinal entre meninas chega a 82%, mas modelo de rastreamento falho na América Latina desafia a meta de erradicação do câncer de colo do útero até 2030.

A vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) apresentou avanços significativos no último ano, mas a América Latina ainda enfrenta o desafio de reduzir a mortalidade por câncer de colo do útero. Segundo um estudo recente publicado na revista The Lancet, a região sofre com a desigualdade nas taxas de imunização e com um sistema de rastreamento considerado pouco eficiente. No Brasil, a cobertura entre meninas de 9 a 14 anos atingiu 82,8% em 2024, aproximando-se da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a eliminação da doença.

Especialistas alertam que o principal entrave para a prevenção é o chamado “rastreamento oportunístico”, onde o exame só é realizado quando a mulher procura o serviço de saúde por outros motivos. O modelo ideal, defendido pela Fundação do Câncer, é o rastreamento organizado de base populacional, que prevê a convocação ativa de mulheres entre 25 e 64 anos. A falta de integração entre os sistemas de saúde faz com que muitas pacientes se percam na linha de cuidado entre o diagnóstico inicial e o tratamento definitivo.

Inovações no Diagnóstico e Importância da Dose Única

Uma das principais mudanças na estratégia brasileira foi a adoção da dose única em 2025, além da ampliação do público-alvo para jovens de até 19 anos não vacinados. O Ministério da Saúde também iniciou a substituição gradual do tradicional exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV. Este novo método é mais preciso ao identificar a presença do vírus antes mesmo do surgimento de lesões, permitindo uma janela de intervenção que pode durar de 10 a 20 anos antes da evolução para um câncer invasivo.

Além das meninas, a vacinação de meninos é considerada fundamental para interromper a cadeia de transmissão e protegê-los contra cânceres de pênis, garganta e ânus. Os sintomas do câncer de colo do útero, como sangramentos fora do período menstrual ou após relações sexuais, geralmente surgem em estágios avançados. Por isso, a conscientização celebrada no próximo dia 26 de março reforça que a combinação de vacina, rastreamento eficaz e tratamento imediato é a única via para reduzir a incidência da doença a níveis residuais.

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil

 






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