Suspeito havia sido liberado após audiência de custódia, mas voltou a ser preso após pedido do Ministério Público – Foto: Reprodução

Um homem suspeito de agredir um cachorro da raça Blue Heeler com uma roçadeira foi preso novamente na manhã desta quinta-feira (12), no município de Colorado do Oeste, em Rondônia. A prisão ocorreu após a Justiça decretar a prisão preventiva do investigado a pedido do Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO).
A decisão foi expedida pela 1ª Vara de Garantias do Poder Judiciário de Rondônia. A prisão foi cumprida por equipes da Polícia Civil do Estado de Rondônia e da Polícia Militar do Estado de Rondônia, com apoio do Batalhão de Polícia Ambiental de Rondônia.
De acordo com o boletim de ocorrência, testemunhas relataram ter visto o suspeito caminhando em direção ao animal com uma roçadeira ligada. Em seguida, ele teria golpeado a cabeça do cachorro com a lâmina da ferramenta e deixado o local sem prestar qualquer tipo de socorro.
O cão ficou gravemente ferido, apresentando cortes na face, no pescoço, na boca e na língua. Após a denúncia, os policiais localizaram o suspeito em uma mercearia da região, onde ele recebeu voz de prisão.
O animal foi resgatado e encaminhado para atendimento com o médico-veterinário José Aparecido de Oliveira, da ONG Resgate com Amor. Segundo o profissional, o cachorro já estava em situação de abandono antes mesmo da agressão.
“O animal estava abaixo do peso, sem água e sem ração, além de apresentar muitos carrapatos e pulgas. Ele também estava amarrado no sol, preso por uma corda curta”, relatou o veterinário.
Devido à gravidade dos ferimentos, o cachorro precisou passar por cirurgia. Parte da língua foi dilacerada e os médicos tentaram reconstruir cerca de 30% do órgão. No entanto, o tecido acabou necrosando após o procedimento, sendo necessária a amputação dessa parte. Apesar da situação delicada, o veterinário informou que o animal apresenta evolução no quadro de saúde e já demonstra comportamento dócil e interage normalmente.
A principal preocupação agora é como o cachorro irá se adaptar para se alimentar sem parte da língua e como será o processo de cicatrização.
Segundo o médico-veterinário, casos graves de maus-tratos contra animais têm se tornado cada vez mais frequentes na região. Somente nos primeiros meses deste ano, pelo menos quatro situações semelhantes já foram registradas.
No Brasil, maus-tratos contra cães e gatos são considerados crime, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição de guarda do animal.
Em Rondônia, a Lei Estadual nº 4.332/2018 determina ainda que o agressor deve arcar com todos os custos do tratamento do animal.
O promotor de Justiça Bruno Ribeiro, do MPRO, destacou que o caso demonstra que o estado não tolerará crimes de violência contra animais.
A orientação das autoridades é que casos de maus-tratos sejam denunciados à polícia pelo telefone 190, inclusive de forma anônima.
Fonte: Jornal Rondônia







